sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O que é fato? O que é espetáculo?

Tenho que mais uma vez, citar um caso ocorrido em Bragança Paulista. Pode parecer chato para quem nem conhece a "Terra da Linguiça", situada a cerca de 90 km da capital. Porém, uma prisão de um vereador ocorrida recentemente na cidade nos faz refletir sobre fato e espetáculo.
Wanderley do Prado foi preso, em flagrante, acusado de vender em sua farmácia medicamentos sem receita e também medicamentos falsos. A imprensa de todo país divulgou o fato. Basta digitar no “Google” e milhares de sites terão a informação. Claro que os meios de imprensa de fora da cidade divulgaram o fato, principalmente pelo dono da farmácia ser vereador.
Na cidade a repercussão do caso foi enorme. Minutos depois, em frente à farmácia havia centenas de pessoas.
Os meios de comunicação local mais do que o fato em si, se preocuparam em divulgar que no ato da prisão uma emissora de TV, filiada da rede Globo, estava no local. Será que questionariam quem teria avisado a TV em primeira mão, se também tivessem “exclusividade” da cena da prisão?
Além de questionar a presença da TV, outro questionamento imediato foi: quem teria denunciado o vereador à ANVISA?
Parece que a prisão em si, os medicamentos apreendidos, os efeitos de medicamentos falsificados no organismo de um cidadão, pouco importam. Importa insinuações de que a prisão só aconteceu porque o vereador era de oposição e vinha em seu primeiro mandato, fazendo denúncias e denúncias contra a administração.
Resultado disto? Até uma comunidade no “Orkut” foi criada em prol do vereador, que renunciou o mandato e depois tentou voltar atrás.
Se para uns, o vereador é vilão porque foi preso por vender medicamentos falsos, para outros ele é um herói, vítima de uma armação que só está preso por denunciar o Poder Executivo.
O que rende mais notícia? Um medicamento vendido sem receita em uma farmácia de propriedade de um vereador ou um vereador que só foi preso porque estava denunciando uma administração?
O que é fato? O que é espetáculo?

Ana Maria de Oliveira

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